Salário mínimo seria de R$ 573 sem política de valorização

Viver com um salário mínimo em 2019 não é uma tarefa simples. Garantir o sustento de uma família com R$ 998 é o desafio de muitos trabalhadores brasileiros. Esse cenário de dificuldades, no entanto, poderia ser bem pior se o Brasil não tivesse implementado a política de valorização do salário mínimo na década passada.

Sem ela, o salário mínimo de 2019 seria de R$ 573. A conclusão é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que simulou o valor do salário mínimo de 2019 sem as regras de valorização criadas no governo Lula. Em 2007, o então presidente determinou que a quantia fosse reajustada com base em um índice equivalente à inflação e somado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores.

Em 2011, Dilma Rousseff transformou a regra em lei e, em 2015, prorrogou a valorização do salário até 2019. Deste ano em diante, a continuidade da política dependerá das prioridades do governo Bolsonaro.

Para o presidente do Sintracia, Cirso da Silva, a valorização do salário mínimo representa uma conquista dos brasileiros. “Essa política garantiu mais qualidade de vida para os trabalhadores e reduziu as desigualdades no país. Infelizmente, ela está em risco com Jair Bolsonaro, que já deu diversas declarações privilegiando os patrões e desmerecendo os trabalhadores”, aponta.

Um governo contra os trabalhadores

Nas palavras do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, as regras de valorização do salário mínimo representam uma “punição” aos empresários. Sem esconder o lado que representa, Mourão defende o achatamento de uma remuneração distante da ideal, que já não é o suficiente para arcar com os custos mais básicos de uma família.

O posicionamento do vice-presidente é reflexo de como o Governo Federal vem tratando as questões trabalhistas. Uma das primeiras iniciativas de Bolsonaro ao assumir a Presidência foi acabar com o Ministério do Trabalho, um recado de que, na sua gestão, os trabalhadores não terão vez. Em outros momentos, defendeu que o mercado de trabalho deve se aproximar da informalidade.

As declarações são assustadoras e revelam que, no governo Bolsonaro, a política de valorização do salário mínimo, que melhorou a vida dos brasileiros, está sob ameaça.

“O crescimento da remuneração do brasileiro foi reconhecido no mundo todo como um instrumento eficaz de combate à desigualdade e garantia de qualidade de vida. Aos trabalhadores, resta a mobilização para que a política de valorização seja mantida”, afirma Cirso.

Fonte: Sintracia

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